Uma floresta de milhões de anos

Saí um pouquinho da Ásia para conhecer um país que me lembrou muito o Brasil: proporções continentais, litoral de milhares de quilômetros, florestas tropicais, população indígena. Mas a Austrália tem o segundo maior IDH do mundo, perde apenas para a Noruega no índice das Nações Unidas que avalia longevidade, renda, segurança e educação. O país não pontua tão bem no índice Gini, que mede a distribuição de renda, mas posso dizer aqui que depois de uma viagem de 17 dias por lá, fiquei muito bem impressionada.

Em Queensland, região ao norte do país, está a mais antiga floresta do mundo, ocupando lindas montanhas que conservaram a umidade inclusive durante eras glaciais. É possível conhecer a Daintree Forest por um preço acessível de barco, de teleférico, de trem, de carro ou a pé. Melhor ainda de todas as maneiras… A estrutura montada para o turismo ecológico me deixou de queixo caído.

Começamos nossa visita de barco, em um passeio pelos rios cercados de manguezais e crocodilos e guiados por um típico Crocodilo Dundee. Faltava um dente na boca do nosso guia, mas sobrava amor pelo ecossistema que o cercou a vida inteira. Eles nos contou que os crocodilos quase não aparecem para barcos estranhos, mas são conhecidos pelo nome pelas pequenas excursões locais, que percorrem os rios há décadas. Demos sorte e vimos vários, tomando sol em bancos de areia na beira da água.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA Crocodilo na Daintree Forest, Austrália

A pé, a floresta nos abraça, graças às plataformas suspensas que permitem uma caminhada segura mata adentro. O que me deu mais satisfação do que ser tão bem tratada como turista foi sentir o quanto a natureza ali é protegida. Para se preservar, é preciso educar quem visita. Ao longo do caminho, várias placas com informações detalhadas contam as histórias do lugar e as tradições dos Aborígenes que ainda vivem na floresta.