Há uns meses atrás apareceu uma discussão no facebook que ficou na minha cabeça. Estavam reclamando que faltavam latas de lixo nas ruas do Rio. E que as que haviam eram muito pequenas, pouco práticas.
Aqui não tem latas de lixo na rua. Também não tem gari. E as calçadas são limpíssimas. Só se encontra latas de lixo do lado das vending machines, que são as máquinas que estão por todo o lado com todos os tipos de bebida à venda. E as latas do lado dessas máquinas são especificamente para garrafas pet e latas.
O outro lugar possível de se encontrar latas de lixo é dentro das lojas de conveniência. E é só.
Há pouco tempo entendi o motivo. Para os japoneses, o lixo é de cada um. É um desrespeito para com a cidade levar o lixo para a rua. E eles não comem andando. Eles param, compram o suco, chá ou lanche, comem e jogam fora antes de voltar a caminhar. O lixo pertence à pessoa que o produz, e é de inteira responsabilidade dela.
Não há necessidade de latas de lixo ou garis catando a sujeira produzida pelos cidadãos, porque eles respeitam sua cidade.
Os “garis” daqui cuidam dos muitos jardins espalhados por Tóquio e têm muito trabalho principalmente no outono, catando as folhas que caem das árvores…
Conseguem ver algum lixo nestas fotos? E aquelas lindas latas cor-de-laranja?



http://perdidanojapao.blogspot.com.br/2014/02/lixo-no-japao-problema-ou-solucao.html
Muito legal esse post de uma outra blogueira, cheio de informações sobre o assunto. Recomende o meu blog para ela também Daniel!
Muito bom! Mas falta uma coisa. E o lixo produzido em casa e nas lojas, escritórios etc? Há um local específico para ser jogado? As pessoas que levam até lá ou existe lixeiro passando e recolhendo?
Já escrevi um pouco sobre isso também, em um dos meus primeiros posts. Como a proposta do blog é falar sobre as minhas impressões, o que eu relato é sempre através da minha experiência… Lixo | Miscelânea
http://tokyorio.com/2013/09/23/lixo/
[…] via http://tokyorio.com/ […]
Não acho que há um problema de cultura no Brasil não. Nem de falta de educação ou de informação. Não adianta gastar com campanhas informativas, qualquer criança sabe que não se joga lixo no chão.
Como resolver esta questão de total falta de respeito, cuidado, bom senso, consciência ecológica, e até de raciocínio lógico (lixo+chuva=tragédia)?
Por exemplo, vale destacar como especialistas resolveram o problema da “mira” nos banheiros masculinos pela cidade: puseram limão, gelo e até alvos, pensados para chamar a atenção do mijão e garantir que não detone o banheiro todo. Deu certo!
Mas você já viu alguém molhar o banheiro da própria casa ao fazer xixi? E jogar lixo no meio da sala ou da cozinha, já testemunhou esta cena?
Como impedir que um cidadão informado, com acesso à educação formal e à tecnologia, meios de comunicação e redes sociais largue uma lata de cerveja/refri (ou um jornal inteiro, sacos e embalagens) no meio da rua, para manter asseado o seu carro importado do ano?
Aqui em Tóquio tem a versão japonesa dessa ideia da mira nos mictórios, Beto! Só que é claro que aqui é um joguinho eletrônico… Acertando no alvo, marcam pontos. Meu filho é que me contou, acho genial! Acho que você tem toda a razão. Os jovens por aí têm uma capacidade incrível de se mobilizar pela Internet, poderiam combinar um mutirão de limpeza na cidade… Mas será que eles sabem usar uma vassoura?
Oi Taiga. Muito legal o que você falou. Conheço muitos jovens no Brasil que topariam um mutirão da limpeza, mas ainda existe o preconceito quanto ao valor do trabalho, o sexismo(função de homem e de mulher) e a velha ideia de que se eu pago imposto o Estado que faça a sua parte, que pode até não ser errada, mas acho que já pasou da hora de ficar esperando e/ou ter vergonha de ser visto com uma vassoura na mão né?
Olá, Taiga!
Post excelente e oportuno! Obrigada por compartilhar suas vivências e reflexões =D
Aproveito e deixo registrado que não há apenas jovens, mas também crianças e idosos que se mobilizam e fazem a diferença nesta geração.
Não só neste período do ano. É um estilo de vida que tem como alvo impactar pessoas e ambientes onde quer que estejam.
Na última 3ª-feira, aqui no Rio, milhares delas saíram pelo Flamengo/ Catete com vassouras, sacos de lixo e luvas para limpar as ruas e alimentar os sem-tetos. =) Foi lindo de ver! Certeza que vc tb amaria ver isso de pertinho aqui no seu País.
Ainda há esperança!
Um abço!
Chris Oliveira
https://twitter.com/comunidadezsul pic.twitter.com/xAkdngjUQ3
http://www.ceizs.com.br/zs/a-casa/a-igreja-alem-das-quatro-paredes/
http://diversao.terra.com.br/carnaval/rio-de-janeiro/bloco-evangelico-reune-folioes-no-carnaval-do-rio,de2d0a6dd8e84410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html
http://www.paranhananet.com.br/noticias/televisao/408184-bloco-evang%C3%A9lico-re%C3%BAne-foli%C3%B5es-no-carnaval-do-rio.html
http://www.eusoupotencia.com.br/
http://www.ceizs.com.br/zs/a-casa/projeto-calebe/
http://www.ceizs.com.br/zs/a-casa/viva-essa-missao/
http://www.herdeira.com.br/
Acho que não. Mas não acho necessário isso. Nosso serviço de limpeza nos grandes centros é bom! O que falta é um pouco de vergonha na cara. Quem sabe a garotada fazendo campanha envergonharia tanto os pais e avós que já teríamos bons resultados…
Acho que é falta de educação, respeito, falta de informação também. Eu trabalho em escolas, com crianças e adolescentes do ensino fundamental falando justamente sobre a importância da preservação da natureza, dos recursos e principalmente, da importância em separar e jogar os resíduos no lixo.
Com meu trabalho, percebo que as crianças precisam entender as consequências do que o lixo doméstico jogado nas ruas, nos traz. Claro que precisamos admitir que o ser humano é egoísta por natureza, logo, se você não mostra a “recompensa” em fazer a coisa certa a pessoa simplesmente não se importa, porque afinal, pra ela “não muda nada”. Agora, quando você prova, mostra com fatos a consequência dos nossos atos você instiga a pessoa a pensar sobre o que está fazendo e aí sim, temos chance de uma mudança de hábito.
Antes de trabalhar nas escolas, pensava que não faltasse informação,…. mas hoje percebo que além de faltar informação para a população em geral (e aí nem vou entrar no mérito sobre a falta de interesse da população, que aí é outro problema), falta também aos educadores, que muitas vezes nem o próprio professor sabe onde deve descartar uma pilha usada.
E isso é muito mais comum do que imaginamos, infelizmente.
Concordo em parte! Minha bolsa anda sempre com um saquinho e papéis, embalagens que guardo para serem jogadas fora. Mas e o lixo que se acumula em nossas portas. O lixo do banheiro, da cozinha… Enfim o que eu produzo na rua nao me importo, é meu. Mas essa imundice que anda na porta da minha casa realmente está me incomodando.
Desculpa Suiam, mas essa imundice também é sua! Quem produziu o lixo na sua casa foi você, não se esqueça disso!
p problema que tem muita gente sem educação ,o povo e porco mesmo!
Vi as respostas de vocês e todos tem sua parcela de razão. Tudo é uma questão de educação e cultura. Estive no Rio Open – torneio de tênis – e você puco via de lixo no chão e maioria das pessoas reclamava de não ter latas de lixo, só que ao final de cada jogo passava um grupo de funcionários recolhendo e além de mim muitas pessoas tinham guardado os seus lixos para jogar quando saíssem, mas ao verem esse funcionário entregavam a eles.
Oi, Taiga, esse seu post chegou até a mim no meio de um debate sobre a greve dos garis aqui no Rio de Janeiro, que está sendo realizada bem durante o carnaval. Com a paralisação da categoria, o lixo tem se acumulado pelas ruas da cidade e muita gente tem criticado os garis por isso! Parece que aqui ninguém se dá conta de que a culpa do lixo acumulado é tb de quem o produz, e até mesmo de quem de alguma maneira induz sua produção (como a Antártica, marca de cerveja que patrocina a folia por aqui e que não parece se preocupar com a lógica da responsabilidade reversa, isto é, a do próprio fabricante). Então fiquei bem curiosa de saber como os japoneses fazem com o lixo em grandes eventos. Imagino que a coleta aí já seja toda com separação para reciclagem, mas queria mais informações. E tb sobre como os fabricantes agem em relação ao descarte das embalagens de seus produtos.
Lua, suas perguntas são super pertinentes. Ainda não fui a nenhum grande evento aqui. O que posso dizer é que quando existem as latas de lixo, geralmente em lugares em que se vende comida, elas são sim de coleta seletiva. Temos que separar até o rótulo e as tampinhas das garrafas pet. Obrigada pelo comentário, vou procurar mais informações para você!
Oba! Fico aguardando mais informações! Obrigada pela rápida resposta. 🙂
Olá!
Já fui a dois grandes eventos aqui no Japão, os japoneses montam uma barraca só para o lixo e há funcionários/voluntários ajudando as pessoas para separarem o lixo, e acredite, os japoneses ficam em fila para jogarem o lixo… Depois do evento está tudo limpo!
Se eles tratassem os animais como tratam a cidade e a natureza, aí sim, seria perfeito!
Oi Lua. Estou há um ano morando na cidade de Athens-GA(USA) e uma das coisas que me chamou a atenção foi a limpeza da cidade. Aqui também as latas de lixo são encontradas nos mesmos lugares que Taiga descreveu ,e não temos garis varrendo as ruas a não ser para manter a cidade limpa no outono. Já fui a eventos aqui na rua e em parques e aí sim ,encontramos um pouco mais de latas de lixo. As pessoas mantem o hábito de não jogar nada no chão e a responsabilidade de fiscalizar e devolver o local totalmente limpo é da produção do evento. Mas praticamente não se vê nada no chão. Aqui sinto que existe uma valorização cultural de qualquer trabalho, e se engana quem pensa que é só imigrante que faz o serviço que nós, brasileiros consideramos “inferiores”. Conheço americanos fazendo graduação e mestrado que trabalham a noite servindo em bares, lanchonetes,lavando pratos, babysitters, e muitos outros serviços. Mas existe também multa pesada pra quem joga lixo na rua , afinal ninguém é perfeito. Existe mais educação e consciência de que o lixo é seu, mas pra mim a principal diferença, é a visão de que todo trabalho é digno e merece ser respeitado e valorizado, e assim essa ideia de que vou sujar porque tem quem limpe, não existe.
Lua, boa tarde! Respondendo à sua pergunta, tenho a dizer que, o fabricante de refrigerante e outras bebidas bem como, outros alimentos, não são responsáveis pelo descarte da embalagem. Eles são sim, responsáveis por produzir produtos de altíssima qualidade e com responsabilidade social e ecológica. Cabe a cada um de nós, cidadãos conscientes, e usuários de alta tecnologia (como a internet) fazer a nossa parte. Você pode comer ou beber andando ou no carro. O que não pode é descartar na rua ou em qualquer ambiente público. Os nossos cidadãos, independente de classe social ou status quo, não respeitam uma regra básica, que é o respeito mútuo, respeito ao próximo; sob qualquer circunstância ou condição. Vejo diariamente, essa cena lamentável várias vezes ao dia. Não é de se estranhar, encontrar tamanha imundice nas nossas ruas e ambiente públicos. Não culpem, os governantes, ou qualquer autoridade pela mazelas, que nós mesmos criamos. Não culpem o vizinho, ou sejam quem for; culpe a sí mesmo e a partir de hoje, cada um de nós devemos ter uma atitude pró ativa, e não fazer mais, por que.insistir no erro é burrice e mostra o quanto somos egoistas.
Eu faço a minha parte, sempre ando com uma sacola (esses de supermercado) no carro, quando estou à pé, guardo na minha bolsa, ou nos bolsos da minha roupa, e se for algo que lambuze, peça um guardanapo num restaurante ou lanchonete e guardo simples assim. Sou japonês, e tenho consciência do meu papel na sociedade. Volto a repetir, não culpem os governantes; pela ignorância coletiva pois, cabe a cada um de nós (enquanto seres dotados de inteligência progressiva) a praticar e chamar a atenção de quem o faz. Somente a boa prática leva a perfeição. Pense nisso, somos todos culpados e irracionais ao mesmo tempo pois sempre procuramos o culpado, e nunca acharemos pois o grande culpado, está dentro de nós!!!!!
Parabéns HARU, penso exatamente como você, faço minhas suas palávras!!!! Mas penso que os fabricantes de bebidas ou outros tipos de alimentos deveriam cooperar no sentido de espalhar lixeiras seletivas e recolher esse material para reciclágem…. Mas realmente esse caos que nos encontramos é culpa principalmente da falta de educação nossa, da população….
Lua,
Concordo com você!
Não basta somente vender o produto,tem que pensar no pós-consumo também.
Aqui no Japão os grandes eventos possuem sim pontos de descarte de latas , garrafas pet, e detritos provenientes de alimentos consumidos , mas não existe pessoas designadas para limpeza isso as pessoas que participam tem consciencia do dever de jogar fora em local proprio as crianças ao descascar bala intuitivamente ja colocam o papel ou no lixo ou no bolso para jogar depois em lugar apropriado. entao a resposta é…em eventos todos colaboram como tambem deveria ser no Brasil ou em qualquer lugar
Super obrigada pela contribuição, Mauro!
em frente às barracas onde vendem comidas e bebidas tem cestos de lixo, e quando são levadas para frente do palco, por exemplo, cada um tem sua sacola plastica na mochila para jogar fora depois
Sabe que isso é uma verdade. Aqui se alguém joga alguma coisa no chão e a pessoa pede para ela recolher, ela nem dá bola. No Canal da Lineu de Paula Machado, os próprios feirantes jogam restos de frutas e papéis no Canal. As crianças estão sendo educadas para isso não acontecer em adulto é o que esperamos.
Bjs
Marly
O Japão prova que alta tecnologia (modernidade) e tradição não são experiencias contraditorias, mas, muito pelo contrário, se construida com um forte investimento em educação e com muito respeito à si e ao proximo, da nisso aí. Cidades limpas e lindas. Temos muito o que aprender com eles.
Com certeza! Quanto ao que você falou aí, realmente temos MUITO o que aprender com os japoneses.
“Eles ñ comem andando.”Eis o princípio da limpeza nas ruas e calçadas.Aqui as pessoas são diferentes:COMEM O TEMPO TODO E, NEM SABEM O Q ESTÃO COMENDO.
Temos que aprender é com a escolha de nossos governantes. O Japão é assim, porque a educação para eles é item de suma importância, e povo educado é povo civilizado, em todos os setores da vida.
Quem joga lixo na rua não é o governante é o governado! O povo!
Mania do povinho brasileiro ficar pondo a culpa no governo, isso em si já é falta de educação.
Discordo Esse tipo de educação vem de casa. Estou cansado ver estudantes universitários e “doutores” jogando lixo pela janela do ônibus ou de seus carrões. Não depende dos governantes, depende de cada um, e dos pais educarem seus filhos. Os meus não jogam lixo no chão.
A chave disso tudo que você falou é EDUCAÇÃO, Apenas.