Contribuição para uma auto-análise brasileira

Por mais duro que seja admitir isso, os políticos que nos governam são um reflexo da nossa sociedade. O que assistimos estarrecidos agora é resultado de alguns aspectos que a nossa cultura tem em exagero:  individualismo, consumismo, ganância, deslumbre, imaturidade. É preciso assumir nossos defeitos para pavimentar pedra a pedra um caminho que nos tire do lamaçal.

Os safados que nos maltratam e vampirizam há tanto tempo são movidos por um vício de poder, uma ambição absurda por dinheiro, bens, viagens, mordomias. Alguns ainda iludem muita gente com um discurso falido, populista, que se aproveita do desejo que o brasileiro tem de ser cuidado, afanado, protegido. Se aproveitam também da ignorância de um povo que nem sabe que podia ter muito mais, que nem sabe que um governo pode e deve proporcionar a ele uma vida muito mais digna. Um povo que não recebe as ferramentas e estímulos para se tornar independente e por causa disso sempre precisa de um pai poderoso que lhe dá esmolas e o mantém quietinho e passivo.

Até agora o governo brasileiro tinha três principais problemas: incompetência, corrupção e certeza da impunidade. O terceiro não existe mais e por causa disso suas entranhas putrefatas agora nos são expostas.

Em choque com a dimensão da sujeira que explode na nossa frente, é perigoso nos rendermos à desesperança, à apatia, à depressão. Talvez esses sentimentos façam parte do processo de cura e sejam necessários, mas não podem conduzir à inércia. Devem servir para uma auto avaliação, para o silêncio que permite a depuração de tantos fatos estarrecedores, para a limpeza do terreno que vai receber novas sementes. E essas sementes só podem ser plantadas por cada um de nós. Não existe salvador da pátria, é a sociedade que tem que reconstruir a política.

Acredito que toda essa dor faz parte do amadurecimento do Brasil. Virar adulto é doloroso, mas já estamos adolescentes há tempo demais. Sociedades mais maduras, como os países europeus ou o Japão, onde vivo há 4 anos, passaram por sofrimentos muito piores e cresceram a partir do que aprenderam. O Japão que no passado já foi tão bélico, violento e imperialista, hoje é um país de paz. O comportamento do cidadão aqui privilegia o respeito ao outro e ao espaço público, como já expliquei em vários posts desse blog. O Japão tem desafios a superar, como todos os países. Mas acredito que resolverão tudo porque o básico eles já conquistaram: Educação, Saúde, Transporte público, Saneamento e Segurança.

Temos um caminho longo a percorrer, mas é preciso começar. Chega de jogar energia fora defendendo um lado ou outro da política, quando os que se salvam são pouquíssimos. Chega de se perder em discursos alimentados por ideologias caducas. É preciso deixar de ser essa província isolada, ingênua, que não se globaliza, que não se integra. As soluções para os nossos problemas básicos já estão testadas e provadas, é só copiar o que dá certo no resto do mundo. E usar nosso potencial para desenvolver outras soluções que um dia também serão copiadas.

O Brasil tem qualidades que vão dar o tom do futuro da humanidade, se ela seguir por um caminho virtuoso. Temos criatividade, afeto, mistura, juventude, esperança. Somos fonte abundante de energia limpa e temos um imenso potencial para um desenvolvimento sustentável. Precisamos de um governo honesto e competente, consciente de ser representante e servidor do povo brasileiro e das nossas reservas naturais. É esse desejo que alimenta meu otimismo, e não deixo ele se apagar.