Pelo Japão

Hasedera

Kamakura é uma jóia de cidade, a 50km de Tóquio. Chegou a ser o centro do poder no Japão entre os séculos 12 e 14 e é recheada de templos, alguns entre os mais antigos do país. Falei da principal atração turística da cidade em um dos meus primeiros posts: O Daibutsu de Kamakura. Desta vez vou contar o que aprendi na minha última visita, uma história encantadora e poética, que acredita-se aconteceu há quase 1.300 anos.

No ano de 721, diz a lenda que um monge budista chamado Tokudo Shonin descobriu perto de Nara (não muito longe de Kyoto) uma imensa árvore sagrada, em português o nome é canforeira (de onde se tira a cânfora). O monge contratou dois escultores para transformar a árvore em duas imensas estátuas de Kannon (divindade budista), cada uma com 11 cabeças. A estátua feita com a parte de baixo da árvore ficou em Nara e a feita com a parte de cima foi jogada no mar.

15 anos depois ela apareceu em Kamakura, na noite de 18 de junho de 736. O templo Hasedera foi construído para ela e é um tesouro.

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O que mais me encantou no Hasedera foi uma história paralela. Frequentemente encontramos no Japão mini templos shintoístas dentro de templos budistas. O Shintoísmo, muito resumidamente, considera sagrados elementos da natureza. Pedras, plantas, animais ou rios são vistos como divinos, e na minha humilde opinião, essa tradição pode ser a raiz do respeito e o cuidado que os japoneses dedicam a desde uma pétala de flor até os trens. O país está recheado de templos budistas e shintoístas, e para identificar o segundo, é só encontrar o Tori, portal feito de madeira ou pedra, como esse aqui:

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Este é pequeno porque, como mencionei acima, é um mini templo dentro do budista Hasedera. A história é linda. A estátua imensa que apareceu na costa de Kamakura estava cheia de conchas presas nela, ficou muito tempo vagando no mar. Por isso as conchas são também consideradas sagradas, e como são um elemento da natureza e não uma divindade budista, o pequeno Tori vermelho abriga o espaço sagrado da outra religião, mas que compartilha a mesma lenda. Essas são as conchas originais, que vieram com a estátua:

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E aqui, as vendidas no templo para quem quiser fazer um pedido:

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