Ilhas de arte

O Japão é um conjunto de ilhas, mais de 6 mil. Moro em Honshu, a maior delas, e por aqui já visitei praias, montanhas nevadas, caminhei em florestas, meditei na beira de um lago. Um país com 118 vulcões,  chacoalhado por terremotos, que tem uma natureza exuberante e tratada com muito respeito, carinho e veneração. Com tanto para conhecer a algumas horas de trem da minha casa, demorei três anos para pegar um avião aqui e me aventurar em uma das ilhas menores. Escolhemos visitar dois tesouros: Naoshima e Teshima, que ficam no mar interno japonês, na prefeitura de Kagawa, sul do país. As duas ilhas abrigam uma coleção preciosa de arte e pérolas da arquitetura japonesa.

 

Para chegar em Naoshima, eu e meu marido pegamos um voo de pouco mais de uma hora de Tóquio até Takamatsu. De lá, mais uma hora de Ferry. A partir de nosso hotel, caminhamos no cenário de natureza e arte. Fotos são proibidas dentro dos museus, mas tentei registrar o que pude da minha experiência para compartilhar com vocês.

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Lee Ufan Museum

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Benesse House

 

No dia seguinte pegamos um barco e partimos para Teshima, um passeio inesquecível. Quase não vi carros na ilha, que é explorada pelos turistas de bicicleta. Teshima mistura arte, vida rural e praias, tudo em harmonia. No alto de uma montanha, entre os campos de arroz, uma estrutura de concreto branco abriga uma experiência que eu descreveria como puramente zen. Lá dentro, sem sapatos, entramos com muito cuidado para não pisar nas obras de arte: gotas de água brotando de invisíveis buracos no chão. A leve inclinação do piso as conduzem para os ralos discretos espalhados pelo enorme espaco. As gotas deslizam bem devagar, em harmonia com o silencio e o céu azul que se revela através da abertura no teto. E claro que sentei e meditei.

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Entre um museu e outro, o passeio nos colocou em contato com um Japão rural, pequenas plantações e seus agricultores, vivendo do alimento que tiram da terra. Percebemos que quase não vimos crianças e uma das escolas parecia ter sido readaptada para ser centro de atividades para idosos.

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Ao pedalar, era como se viajássemos no tempo, passando por futuro e passado, misturados naquele espaço mágico, sem ordem linear, como se fossem realidades paralelas. Lá na ponta da ilha, um artista francês montou em uma casinha um equipamento para guardar batidas de coração.

 

No fim do passeio, ainda tinhamos tempo antes do barco partir e fomos pedalar um pouco mais. Como acontece sempre por aqui, tropeçamos em um templo, bem antigo. Fomos nos aventurar para ver como era. O caminho estava todo tomado por teias de aranha, há muito tempo ninguem passava por ali. Fiz um vídeo para vocês se sentirem um pouquinho como nós naquele lugar…

 

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