Ecos e vozes de Hiroshima

Um desafio escrever um post sobre essa cidade, cuja tragédia é conhecida por todos. Tentarei ser um canal de tradução e transmissão não da história, mas de histórias que conheci em minha visita, três dias que vão ficar para sempre comigo. Vou começar dentro do museu, para que o texto se movimente da tragédia para a renovação e a esperança.

Os primeiros personagens são crianças e adolescentes, muitos com a idade do meu filho. O Japão estava em guerra em 1945. Com os homens fora da cidade, os meninos e meninas entrando na puberdade trabalhavam em obras no dia em que a bomba caiu. Bem perto do centro do alvo.

Nobuko Oshita, 13 anos, aluna da escola de ensino médio da prefeitura de cidade, costurou ela mesma o uniforme de verão que vestia no dia em que morreu. Ela trabalhava na demolição de um prédio a 800 metros do epicentro da explosão. Chegou a ser socorrida e ir para casa, só resistiu até à noite.

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Miyoko, outra menina, também tinha 13 anos e estudava na mesma escola de Nobuko. Seu corpo nunca foi encontrado. Dois anos depois da explosão, apareceu essa sandália de madeira, reconhecida pela mãe por causa do tecido das tiras, feitas por ela com um retalho de um antigo Kimono.

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Shinichi Tetsutani tinha 3 anos e 11 meses e amava seu triciclo. Naquela manhã, ele estava brincando na frente de casa quando foi queimado junto com seu brinquedo favorito pelo repentino flash. Morreu naquela noite. Seu pai enterrou com ele o triciclo no quintal de casa, não queria que o menino ficasse sozinho. 40 anos depois, o corpo foi transferido para o cemitério e o triciclo doado para o Museu da paz.

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A menina Sadako Sasaki foi exposta à radiação da bomba quando tinha 2 anos mas escapou sem aparentes ferimentos. Cresceu forte e saudável. 10 anos depois, quando terminava o sexto ano do ensino fundamental, foi diagnosticada com leucemia. Acreditando na lenda de que, depois de fazer 1000 garças em origami poderia ter um desejo realizado, se dedicou ao trabalho na esperança de cura.

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As garças de Sadako

8 meses depois do diagnóstico, Sadako faleceu, mas sua história virou símbolo de paz. A morte de Sadako impulsionou a construção de um monumento em homenagem às crianças atingidas pela bomba, a partir de doações que vieram de todo o país. Até hoje milhares de garças de origami são enviadas para o monumento todos os anos.

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Monumento pela paz para as crianças

 

O museu da paz foi construído junto com um lindo parque na região mais atingida pela bomba. As esculturas são emolduradas pelas árvores, muitas cerejeiras que estavam em floração durante a nossa visita. Em 1977 a estátua “Uma prece para a paz”, de Katsuzo Entsuba, foi feita com o dinheiro enviado por estudantes de todo o país.

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No centro da praça uma chama foi acesa em 1964, e ela só será apagada no dia em que o mundo estiver livre das armas nucleares.

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O fogo que queima em Hiroshima na verdade tem mais de 1200 anos. A chama piloto foi tirada de um templo no alto do monte Misen, em Miyajima, que também visitei. Acredita-se que a água fervida pelo fogo guardado há tanto tempo no templo budista de Kobo Daishi poderia curar qualquer doença. Filmei para vocês, o vídeo é curto porque não dá para respirar lá dentro!

 

E para encerrar, a alegria dos jovens de Hiroshima hoje. Cidade vibrante, cheia de energia positiva, que foi reconstruída a partir de cinzas e trauma, mas com muito amor e paz. Fiquei encantada com o astral da juventude de lá. Tomara que sintam isso também vendo o vídeo que fiz para vocês. Como não compartilhar?