Reflexões

Respirem fundo…

Doenças são tratadas de modo bem diferente nos dois lados do planeta. O Ocidente tende a buscar soluções rápidas e mais violentas, para chegar logo à plena saúde e voltar para a vida frenética. Mas essa saúde é ilusória. Antibióticos são veneno (em alguns casos necessários) e muitas vezes podem ser evitados. A busca pela sensação de se sentir logo bem está criando bactérias super resistentes que são hoje um dos maiores pesadelos que a comunidade científica enfrenta. E é claro, o remédio de solução rápida destrói nossas defesas e a longo prazo nos torna cada vez mais fracos.

Vivendo no Oriente, aprendo a ter paciência para esperar a cura. Um exemplo que vivo nesse momento: minha filha está com os olhinhos cheios de secreção por causa de uma alergia, o médico receitou um colírio fraquinho, a cura está vindo bem devagar, os sintomas desaparecem aos poucos, ela sofre mais a curto prazo. Hoje tenho paciência e confiança na capacidade do corpo dela em se livrar do desconforto naturalmente.

Depois de dois parágrafos que aparentemente nada têm a ver com a crise brasileira, acho que muitos de meus leitores já estão entendendo aonde quero chegar. Existe no Brasil uma doença antiga, entranhada profundamente. Ela nos mata aos poucos há muito tempo, porque ao invés de remédio, sempre foi alimentada por nossos governantes. Agora a cura está vindo, e temos que deixar ela funcionar aos poucos, em um tempo saudável. Soluções apressadas e a curto prazo sempre nos fizeram mal e não são definitivas, não aumentam as nossas defesas, não nos tornam mais saudáveis. Como no olho da minha filha, as secreções são feias, machucam, mas são o sinal de que o corpo está lutando contra a doença.

A filosofia de vida que tento aprender aqui no Japão me ensina que construções sólidas e confiáveis devem ser feitas pedra a pedra, um passo de cada vez, com paciência e serenidade. Quantas cidades nesse país já foram destruídas por tragédias causadas pela natureza e pelo homem e depois reconstruídas do nada? Se quiserem, leiam o post Hiroshima.

É preciso ter foco, calma, objetividade. Em um processo de purgação, toda a sujeira deve sair e ser limpa, por mais difícil que seja conviver com ela. E demora. Muitas pessoas que respeito e admiro defendem Diretas Já. Entendo perfeitamente seus argumentos, mas peço licença para dar uma opinião a partir de um lugar distante, a partir de uma lógica diferente, na qual estou inserida há quatro anos e que tem me ensinado muito. Acho que é preciso esperar até o fim de 2018 para as eleições. Esse tempo é necessário para que a cura avance mais. Até lá, confio que muitos políticos estarão inelegíveis e que será bem mais fácil a limpeza do Congresso ser mais eficiente.

Até lá, corremos menos risco de eleger algum oportunista para presidente. Minha intuição diz para fugir de um antibiótico neste momento. Ele vai mascarar os sintomas, e pode gerar bactérias mais resistentes. A Poliana que vive dentro de mim têm ficado adormecida bem mais frequentemente nos últimos tempos, mas ainda existe. Ela acredita que a cura virá.

Categorias:Reflexões

2 replies »

Pode comentar!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s