Se tudo correr bem…

… a corrupção vai perder força e dar espaço para que pessoas honestas e competentes tomem as rédeas do país, com a ajuda de uma sociedade civil ativa e consciente. Depois de uma reorganização da política e da entrada de novos e bem intencionados agentes nesse espaço tão desvalorizado, os 5 principais problemas que impedem uma vida digna para todos serão encarados e enfrentados: Saneamento básico, Saúde, Educação, Transporte e Segurança. Assim mesmo, com letras maiúsculas, porque sem esses cinco pilares em pé e sólidos, outras questões perdem a importância.

Se tudo correr bem… enquanto investimentos a longo prazo começarem a sanar os problemas mais básicos, haverá uma valorização dos pequenos empreendedores, da criatividade, das soluções baratas e eficientes. Produtos gerados em  harmonia com a sustentabilidade, em comunhão com os recursos naturais têm mercado garantido dentro e fora do Brasil. E o potencial de fazer florescer pequenas comunidades, valorizando culturas e materiais locais.

Se tudo correr bem… preservando as muitas identidades, cores e ideias locais, o Brasil vai finalmente se inserir de maneira saudável na globalização. Vai ser um exemplo de desenvolvimento a partir da transparência e de regras claras, vai se colocar na ponta da geração de energia limpa, vai mostrar para o mundo a riqueza de um povo pacífico e multicultural.

Se tudo correr bem… o Brasil finalmente pode ser incluído no circuito turístico internacional e gerar riqueza e empregos a partir dessa indústria, mas de maneira sustentável. A demanda por destinos de natureza exuberante só cresce no mundo. A equação preservação e turismo é possível, e tem um mercado em ascensão.

Se tudo correr bem… a reboque do investimento básico na educação, o Brasil pode em pouco tempo inserir no currículo básico as ferramentas fundamentais da educação do século 21, ausentes nos modelos tradicionais. Pensamento crítico, criatividade, inteligência emocional, socialização saudável.

Mas para que tudo isso e muito mais aconteça, enquanto a justiça faz a faxina nos altos escalões do poder apodrecido que nos governa, cada um precisa ser menos egoísta, menos individualista, menos intransigente. Só assim vai ser possível nascer do vácuo de poder uma nova classe política decente. Para evitar o empoderamento no futuro próximo de crias da direita ou esquerda extremas ou de um Donald Trump tupiniquim disfarçado de salvador da pátria, cada um de nós precisa exercitar o diálogo e a escuta.

Quem vive na bolha com plano de saúde, escola particular e empregada doméstica é o brasileiro mimado. Que reclama do “status quo” a partir das redes sociais. Que só sente os efeitos da falta daqueles 5 pilares do primeiro parágrafo quando é assaltado. Porque a violência no Brasil não é gerada por fundamentalismos religiosos ou intolerâncias raciais e culturais como em outras partes do mundo. A nossa violência é social, tem as causas muito claras e as soluções também.

É só a partir da escuta com empatia que é possível enxergar qual é o melhor futuro que podemos construir. Para isso, temos que ser capazes de ver a realidade sob a perspectiva do outro e de entender e se conectar com problemas que não são nossos, mas nem por isso são menos importantes. Os privilegiados brasileiros não sofrem com a falta de saneamento básico que atinge mais da metade da população, mas esse é um problema de todos. Enquanto ainda existir a separação da casa grande e da senzala no Brasil, nada vai mudar.